Um estudo recente revelou que uma vasta área no centro-norte da Amazônia, equivalente ao tamanho do Chile, experimentou um aumento de pelo menos 3,2°C nas temperaturas extremas durante a estação seca desde 1981. A pesquisa, publicada na revista Communications Earth & Environment, destaca que essa elevação é superior ao aumento médio anual observado na floresta tropical, que é de 0,2°C por década.
Desigualdade no aquecimento da Amazônia
Os resultados do estudo indicam que o aquecimento não ocorre de forma homogênea em toda a Amazônia. Enquanto o sul apresenta um aquecimento médio acelerado, é no centro-norte que as temperaturas extremas e o déficit hídrico avançam mais rapidamente. Essa região, distante do arco do desmatamento, é menos afetada por distúrbios antrópicos, como desmatamento e queimadas.
Impactos das mudanças climáticas globais
O estudo sugere que o aumento das temperaturas extremas não pode ser atribuído apenas à perda florestal, mas também às mudanças climáticas globais. Os cientistas alertam para a possibilidade de que o El Niño deste ano seja o mais intenso já registrado, o que pode agravar ainda mais as condições na Amazônia, levando a temperaturas elevadas e secas extremas.
Urgência de medidas de mitigação
Os pesquisadores enfatizam a necessidade urgente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e adotar medidas de mitigação e adaptação. Isso inclui a conservação de florestas nativas, o combate ao desmatamento e o incentivo à restauração florestal. A pesquisa destaca que os extremos climáticos têm impactos profundos nos sistemas de produção de alimentos, na saúde e no cotidiano das pessoas.
Conhecimento acumulado e inovação
Para realizar a pesquisa, os cientistas dividiram a Amazônia em áreas de 11 quilômetros de extensão e usaram dados de alta resolução sobre temperatura e precipitação. Inovaram ao utilizar uma nova medida de déficit hídrico, considerando os efeitos da temperatura sobre a perda de água. Isso permitiu avaliar as mudanças climáticas sob duas formas: tendência central e tendência dos extremos.
Próximos passos e cooperação internacional
O estudo faz parte de uma rede de cooperação internacional que busca soluções sustentáveis para o planeta. Novas pesquisas estão em andamento para analisar a resposta das florestas modificadas pelo homem às mudanças climáticas e o impacto do manejo do fogo. O projeto é financiado pela Fapesp e integra o experimento AmazonFACE, que estuda os efeitos do aumento de CO2 atmosférico.
Para mais informações, acesse o estudo completo.
Fonte: poder360.com.br
