O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está intensificando a cooperação tecnológica com a China, focando na integração à Waico (Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial), sediada em Pequim. O embaixador Eugênio Vargas Garcia, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Itamaraty, destacou que a soberania digital é uma prioridade nacional, sem que isso implique em alinhamento político com a China.
Estratégia de Diversificação Tecnológica
Garcia explicou que a estratégia do Brasil é diversificar parceiros e fornecedores para aumentar a autonomia tecnológica. A aproximação com a China é parte desse plano, visando o desenvolvimento de capacidades nacionais e a redução de vulnerabilidades tecnológicas.
A cooperação internacional é vista como uma forma de acelerar o acesso a tecnologias de ponta, evitando a dependência de um único país ou fornecedor. A diversificação é considerada crucial para mitigar riscos e vulnerabilidades.
Projetos de Supercomputadores no Brasil
Um exemplo dessa estratégia é o projeto de supercomputadores do governo. Um dos equipamentos será instalado no Rio de Janeiro com participação chinesa, enquanto outro em Natal utilizará GPUs da Nvidia, com concorrência aberta entre fornecedores.
A estratégia inclui contrapartidas para ampliar a capacidade tecnológica brasileira, como transferência de tecnologia e formação de profissionais. O edital do supercomputador prevê a formação de 3.000 especialistas em três anos e um plano para aumentar a capacidade produtiva do país.
Produção Local e Participação Nacional
Garcia ressaltou a importância de produtos e serviços digitais estrangeiros para acelerar o acesso à tecnologia, mas sem criar dependência. O modelo pode envolver a compra de tecnologia estrangeira, produção de componentes no Brasil e aumento progressivo da participação nacional.
WAICO: Organização Mundial de Cooperação em IA
A Waico foi fundada em julho de 2026 pelo presidente da China, Xi Jinping. O Brasil é um dos 30 Estados-membros, ao lado de países como Rússia e África do Sul. A organização visa compartilhar modelos abertos de IA, fortalecendo a liderança chinesa em inteligência artificial, especialmente entre países do “Sul Global”.
Fonte: poder360.com.br
