Sete anos após um dos maiores derramamentos de petróleo no litoral brasileiro, comunidades de pesca artesanal no Nordeste estão prestes a receber os resultados de uma pesquisa abrangente sobre os impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais do desastre. O seminário de encerramento do projeto “Petróleo e os Povos da Pesca Artesanal: Enfrentando o Racismo e a Injustiça Ambiental” ocorrerá entre 17 e 19 de agosto, em Tamandaré, reunindo pesquisadores, organizações sociais e pescadores dos quatro estados analisados.
Comunidades afetadas e análise dos impactos
A pesquisa, iniciada em janeiro de 2024 pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em colaboração com outras instituições e organizações sociais, como a Caranguejo Uçá e o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), acompanhou comunidades de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. O objetivo é identificar os impactos do derramamento de petróleo de 2019 e contribuir para a formulação de políticas públicas que protejam os territórios e modos de vida das populações pesqueiras.
Além disso, o projeto investiga situações de racismo e injustiça ambiental enfrentadas pelas comunidades, bem como outros problemas socioambientais nos territórios tradicionais. A saúde dos pescadores em áreas estuarinas e de manguezais também foi avaliada, considerando os impactos do petróleo e outros riscos ambientais.
Metodologia e construção dos resultados
A iniciativa combinou pesquisa científica e extensão universitária, com participação direta das comunidades. Os pesquisadores buscaram identificar características, problemas e potencialidades de cada território, além de discutir o acesso das populações às políticas públicas.
O trabalho também aborda a prevenção de riscos relacionados a possíveis derramamentos de fluidos e dejetos provenientes de embarcações, portos e outras atividades em áreas litorâneas. No seminário de encerramento, os resultados serão apresentados e validados pelos pescadores que participaram da pesquisa.
Seminário em Tamandaré
O encerramento será realizado no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (CENEPE), em Tamandaré. A programação incluirá debates sobre saúde, trabalho e os efeitos do derramamento de petróleo nas comunidades pesqueiras.
Entre as atividades previstas estão apresentações sobre saúde e trabalho no pós-desastre, conduzidas por professores da UFBA e UFPE, além de discussões como a “Ciranda dos Aprendizados” e o “Papo de Maré”.
O desastre de 2019
O derramamento de óleo que atingiu o litoral do Nordeste em setembro de 2019 afetou especialmente comunidades que dependiam do mar e dos manguezais para subsistência. Em Pernambuco, o óleo chegou a várias localidades, impactando diretamente pescadores e marisqueiras. A pesquisa da UFPE, iniciada cinco anos após o desastre, busca agora identificar os impactos deixados nos territórios de pesca artesanal.
Fonte: jc.uol.com.br
