A previsão de um El Niño intenso está levando empresas de saneamento a reforçar suas estratégias para enfrentar eventos climáticos extremos. Com isso, as concessionárias estão ampliando investimentos em tecnologia, monitoramento e infraestrutura, enquanto a regulamentação começa a incorporar essa agenda de forma mais efetiva.
Impactos regionais do El Niño
O próximo ciclo de El Niño indica uma redução das chuvas em partes do Norte e Nordeste, o que pode comprometer a disponibilidade hídrica. No Sudeste e Centro-Oeste, espera-se um aumento das temperaturas, elevando o consumo de água e pressionando os sistemas de abastecimento, conforme explica Alexandre Nascimento, meteorologista da Nottus.
Além disso, o excesso de precipitações no Sul tende a sobrecarregar os sistemas de drenagem urbana, ampliando o risco de enchentes, segundo Carlos Lebelein, sócio da LMDM Consultoria.
Estratégias de adaptação e investimento
Empresas como a Aegea estão utilizando modelos de inteligência artificial para antecipar cenários climáticos, cruzando dados sobre consumo de água, níveis de rios e previsões meteorológicas. Em Manaus, a empresa reposicionou bombas de captação no Rio Negro e investiu em novos poços e reservatórios no Piauí e Pará.
A Sabesp, por sua vez, planeja investir R$ 7,8 bilhões em segurança e resiliência hídrica até 2030, com foco em tecnologia para localizar vazamentos e instalação de hidrômetros inteligentes.
Desafios regulatórios e infraestrutura
A regulamentação do setor está evoluindo para incluir medidas preventivas contra eventos climáticos extremos. Ana Cândida, sócia do BMA Advogados, destaca que contratos mais recentes já tratam de riscos climáticos de forma específica, como no caso da privatização da Sabesp.
Essa evolução regulatória reflete uma transformação mais ampla no setor, que precisa adaptar sua infraestrutura para lidar com secas, enchentes e ondas de calor cada vez mais frequentes.
O papel da tecnologia na resiliência
A Iguá Saneamento incorporou a adaptação climática ao seu planejamento operacional, desenvolvendo planos de segurança hídrica e resiliência climática. A empresa também moderniza seus sistemas de distribuição e elabora planos de contingência para enfrentar eventos extremos.
Paula Violante, diretora de Operações da Iguá, ressalta que, embora não possam controlar as chuvas, as empresas podem preparar seus sistemas para situações mais críticas.
Conclusão
O setor de saneamento está se adaptando a um novo cenário climático, com investimentos em tecnologia e infraestrutura para mitigar os impactos de eventos extremos. A regulamentação também avança, exigindo que as empresas estejam cada vez mais preparadas para enfrentar esses desafios.
Para mais informações sobre o impacto do El Niño, consulte BBC Brasil.
Fonte: jc.uol.com.br
