O recente acionamento do plano de gestão de excedentes pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) destaca a crescente influência da geração de energia solar em residências no Brasil. A medida, que reduziu a carga em 1 GW entre 10h e 14h, foi necessária para equilibrar a alta geração de micro e minigeração distribuída durante um feriado prolongado. Esta foi a primeira vez que o ONS precisou adotar tal manobra.
Desafios da geração distribuída no sistema elétrico
A decisão do ONS não é uma prática comum, pois a geração distribuída, que inclui energia solar em telhados, entra diretamente na rede das distribuidoras, dificultando o controle do ONS. Essa situação gera preocupações no setor elétrico, uma vez que a geração distribuída foi promovida como uma solução sustentável, permitindo que consumidores gerem sua própria energia e recebam créditos na conta mensal.
Impacto social e crescimento da geração solar
Socialmente, a geração distribuída representou um avanço significativo, com capacidade de gerar quase 50 GW, cerca de 20% do total gerado no Brasil. No entanto, a entrada direta na rede define o que as distribuidoras precisam comprar, comprometendo o controle do ONS. Atualmente, 4,13 milhões de unidades consumidoras utilizam créditos de geração distribuída.
Subsídios e o papel do governo
A geração distribuída recebe subsídios governamentais, cobrados através da Conta de Desenvolvimento Econômico (CDE). Em 2026, o subsídio à geração distribuída custará R$6,8 bilhões aos consumidores. O crescimento contínuo desse modelo é previsto para representar um quarto da energia gerada no Brasil até 2030, o que levou a intervenções legislativas para estender incentivos até 2045.
Controvérsias no setor elétrico
A expansão das energias renováveis, incluindo solar e eólica, transformou-se em um desafio. Combinadas, essas fontes representam 41,7% da geração total do Brasil. A rápida evolução da geração renovável, iniciada em 1992, contrasta com o desenvolvimento mais lento das hidrelétricas. O governo concedeu subsídios significativos às renováveis, que ainda são pagos pelos brasileiros.
Necessidade de revisão das políticas energéticas
O evento inédito de gestão pelo ONS evidencia a necessidade de o Ministério das Minas e Energia reavaliar as políticas do setor elétrico. O planejamento energético do Brasil, tradicionalmente baseado em projeções de crescimento, precisa se adaptar à nova realidade de oferta de geração. Este é um desafio crucial, especialmente em um ano eleitoral.
Para mais informações sobre o impacto da geração distribuída no sistema elétrico brasileiro, consulte ANEEL.
Fonte: jc.uol.com.br
