O debate sobre o uso de implantes hormonais e hormônios manipulados intensificou-se no Brasil após as recentes restrições impostas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). As novas diretrizes visam limitar terapias com finalidades estéticas, ganho de massa muscular e melhora de performance, gerando um embate entre entidades médicas e especialistas.
Restrições do CFM e suas justificativas
O CFM, por meio da Resolução nº 2.333/2023, proíbe a prescrição e divulgação de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes para fins estéticos, como hipertrofia muscular e rejuvenescimento. Segundo o conselho, essas práticas carecem de respaldo científico e podem representar riscos à saúde.
Além disso, a norma veda o uso de testosterona sem diagnóstico de deficiência, hormônios “bioidênticos” e SARMs, a não ser que haja indicação médica comprovada, como em casos de endometriose e menopausa.
Opiniões divergentes na comunidade médica
Enquanto conselhos médicos tradicionais alertam para a falta de evidências científicas, alguns profissionais, especialmente da Sociedade Brasileira de Medicina Personalizada (SBMP), defendem o uso dos implantes. Eles argumentam que a terapia hormonal está sendo “demonizada” e que pacientes com doenças crônicas podem ser prejudicadas pelas restrições.
Impacto nas pacientes com endometriose
O debate ocorre em meio a desafios no diagnóstico e tratamento da endometriose no Brasil. Pesquisa do Instituto Ipsos revela que 4 em cada 10 mulheres desconhecem a condição, e muitas relatam que seus sintomas são minimizados, dificultando o acesso ao tratamento adequado.
Essas dificuldades são exacerbadas pela demora no diagnóstico, com muitas mulheres ouvindo que seus sintomas são resultado de estresse ou cansaço.
Consequências das novas diretrizes
As restrições do CFM visam proteger pacientes de práticas sem comprovação científica, mas também geram preocupações sobre o acesso a tratamentos necessários. O conselho afirma que as medidas não pretendem limitar o acesso de pacientes a terapias devidamente indicadas, mas sim evitar o uso indiscriminado de justificativas clínicas para fins estéticos.
A discussão continua a dividir a comunidade médica, destacando a necessidade de mais pesquisas e debates sobre o uso seguro e eficaz de terapias hormonais.
Para mais informações sobre o impacto das novas diretrizes, acesse a CNN Brasil.
Fonte: cnnbrasil.com.br
