O governo brasileiro, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), está diante de um desafio monumental: reativar milhares de quilômetros de ferrovias abandonadas. Um estudo recente aponta que serão necessários até R$ 75 bilhões para revitalizar essa infraestrutura essencial para o desenvolvimento econômico do país.
Desafios da infraestrutura ferroviária
O levantamento, realizado com a Infra S.A., analisou cerca de 9.845 quilômetros de trilhos fora de operação. Destes, 7.412 km apresentam potencial de reativação, mas dependem de significativos investimentos públicos. Outros 2.433 km foram considerados inviáveis, mesmo com apoio estatal. O estudo destaca que nenhum trecho poderia ser reativado apenas com recursos privados.
Distribuição das ferrovias pelo país
As ferrovias analisadas estão divididas em três grandes regiões: a Malha Nordeste, com 2.984 km; a Malha Centro-Leste, com 3.577 km; e a Malha Sul, com 3.284 km. Exemplos de trechos viáveis incluem o corredor entre Visconde de Itaboraí (RJ) e Vitória (ES), além de conexões no Sul e interior do Nordeste.
Necessidade de subsídios governamentais
Mesmo os trechos considerados recuperáveis exigem significativo apoio do governo. Cerca de 1.310 km necessitariam de investimento inicial para reconstrução, enquanto 6.102 km precisariam de subsídios contínuos. A maior parte das linhas seria destinada ao transporte de cargas, com 5.900 km voltados para mercadorias.
Modelos de financiamento em discussão
Uma alternativa para viabilizar esses projetos é o Viability Gap Funding, onde o governo cobre a diferença entre a arrecadação do projeto e o necessário para sua sustentabilidade. Este modelo está previsto para a concessão da Ferrovia do Sudeste (EF-118).
Iniciativas na Bahia
Na Bahia, a reativação da antiga Estrada de Ferro Bahia ao São Francisco está em pauta. Com mais de 600 km, o projeto visa conectar Salvador a Juazeiro, com uso misto para passageiros e cargas. Um estudo de viabilidade econômica e infraestrutura está sendo contratado por R$ 16 milhões.
Para mais detalhes sobre o impacto econômico e estratégias de financiamento, consulte a Folha.
Fonte: atarde.com.br
