O cenário de abandono no centro do Recife é alarmante, com a deterioração de diversos imóveis refletindo a falta de revitalização na área. Em 2025, a Defesa Civil identificou 136 edificações com risco estrutural elevado, sendo 102 delas classificadas com risco alto e 34 com risco muito alto. Essa realidade se torna visível nos bairros de São José, Boa Vista e Santo Antônio, onde lojas fechadas e espaços públicos abandonados se tornaram parte da paisagem urbana.
Imóveis em Risco e Suas Localizações
As edificações em questão estão localizadas em vias importantes, como as Avenidas Marquês de Olinda e Dantas Barreto, bem como nas Ruas da Moeda, Bom Jesus, Imperial e do Apolo. A degradação desses imóveis não apenas compromete a segurança dos transeuntes, mas também representa um entrave ao desenvolvimento e à revitalização do centro histórico da cidade.
A Necessidade de Intervenção
A situação crítica das edificações exige um incentivo para que os proprietários, em sua maioria privados, realizem reformas necessárias. Apesar da riqueza arquitetônica da região, que inclui igrejas e casarões tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a presença de imóveis em estado de abandono contrasta com o patrimônio cultural protegido, dificultando a revitalização do centro.
Classificação de Risco e Responsabilidades
A classificação de risco das edificações é realizada pela Defesa Civil e varia de 1 a 4, onde o nível 1 representa o menor risco e o 4, o maior. De acordo com o engenheiro civil Wellington Martins, imóveis classificados como 3 e 4 exigem atenção especial, pois podem colocar em risco a vida de pessoas que frequentam a área. A responsabilidade pela manutenção dos imóveis recai sobre os proprietários, sejam eles públicos ou privados, e cabe à Defesa Civil a fiscalização de sua integridade.
O Papel da Prefeitura e da Comunidade
A Prefeitura do Recife esclareceu que a classificação de risco não implica, necessariamente, na iminência de um colapso estrutural, mas indica a necessidade de ações preventivas. A população pode colaborar reportando situações de risco à Defesa Civil pelo telefone gratuito 0800-081-3400, que está disponível 24 horas por dia. Essa comunicação é crucial para garantir a segurança dos cidadãos que transitam pelas áreas afetadas.
Casos Emblemáticos de Abandono
Um exemplo notável da deterioração no centro é o Edifício 13 de Maio, situado na Rua da União. Cercado por um ambiente movimentado, o imóvel exemplifica os desafios que o Recife enfrenta em relação à preservação do patrimônio e à segurança dos cidadãos. A falta de iniciativas efetivas para a sua recuperação acentua a necessidade de um planejamento urbano mais eficiente e seguro.
Conclusão
O abandono no centro do Recife é um reflexo da negligência com o patrimônio urbano e da falta de ação por parte dos proprietários e das autoridades. A situação dos 136 imóveis em risco estrutural é um chamado à ação, demandando esforços conjuntos para revitalizar a área e garantir a segurança de quem vive e trabalha na cidade. Somente através de um compromisso coletivo será possível resgatar o valor histórico e cultural do centro do Recife.
Fonte: https://jc.uol.com.br








