O Grupo Casas Bahia (BHIA3) apresentou resultados mistos em seu balanço referente ao quarto trimestre de 2025. Embora a empresa tenha registrado um prejuízo líquido de R$ 1,529 bilhão, alguns aspectos positivos surgiram, especialmente relacionados ao crescimento dos canais digitais, que compensaram parcialmente os desafios enfrentados.
Crescimento do Canal Digital
O canal digital da Casas Bahia teve um desempenho notável, com um crescimento de 22% no Volume Bruto de Mercadorias (GMV). Esse aumento foi impulsionado principalmente pelas vendas diretas, também conhecidas como 1P. Além disso, a parceria com o Mercado Livre se destacou como um fator crucial, contribuindo para que o canal digital alcançasse seu melhor desempenho em 16 trimestres.
Desempenho Financeiro e Rentabilidade
Apesar do crescimento nas vendas online, a rentabilidade da empresa não acompanhou esse ritmo. A margem Ebitda ajustada caiu para 7,7%, o que foi considerado abaixo das expectativas de mercado, em cerca de 10%. A análise do Goldman Sachs sinaliza que essa queda está relacionada ao mix de canais e a um ambiente promocional mais agressivo.
Reestruturação e Fluxo de Caixa
A companhia conseguiu avançar em sua reestruturação de capital, reduzindo significativamente a alavancagem de 1,9x para 0,4x. Mesmo com o prejuízo líquido, a geração de Fluxo de Caixa Livre (FCL) de R$ 1,8 bilhão foi uma surpresa positiva, superando as expectativas dos analistas do Goldman Sachs.
Desempenho das Lojas Físicas
Enquanto o e-commerce se destacou, as lojas físicas da Casas Bahia enfrentaram dificuldades, apresentando um faturamento estável. O indicador de Vendas nas Mesmas Lojas (SSS) foi de apenas 2,6%, uma performance considerada fraca em comparação ao crescimento de 17,1% do ano anterior. Essa situação ressalta uma mudança no comportamento do consumidor, com um aumento significativo nos pagamentos via PIX, que saltaram para 41,1%.
Marketplace e Inadimplência
O marketplace da empresa também apresentou crescimento, com um aumento de 16%, impulsionado pela abertura de novos canais parceiros. No entanto, a inadimplência acima de 90 dias na carteira de crédito ativa, que soma R$ 6,6 bilhões, subiu 60 pontos-base na comparação anual, o que preocupa os analistas sobre a saúde financeira da empresa.
Eficiência Operacional e Medidas Adicionais
A margem bruta da empresa caiu 140 pontos-base, refletindo a maior participação das vendas online. Para lidar com esses desafios, a gestão focou em um controle rigoroso de despesas, mantendo o índice de Despesas de Vendas, Gerais e Administrativas (SG&A) estável. Além disso, a companhia emitiu R$ 1,4 bilhão em notas comerciais para minimizar riscos de curto prazo, sinalizando um esforço para fortalecer sua posição financeira.
Expectativas Futuras
O mercado permanece cauteloso em relação à capacidade da Casas Bahia de transformar o crescimento das vendas em lucros sustentáveis para os acionistas. Com as recomendações de venda de instituições como Goldman Sachs e Morgan Stanley, a expectativa é que melhorias operacionais sejam essenciais para reverter o cenário atual e garantir a rentabilidade a longo prazo.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








