Recentemente, o mercado financeiro brasileiro foi abalado por duas notícias significativas: a solicitação de recuperação judicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen. Enquanto a GPA enfrenta uma dívida de R$ 4,5 bilhões, a Raízen, uma das maiores empresas do setor, acumula um total de R$ 65,2 bilhões em obrigações. As consequências para os investidores são grandes, afetando não apenas o mercado de ações, mas também o de títulos, com impactos diretos em debêntures e certificados de recebíveis.
Efeitos nos Fundos Imobiliários
Os impactos da recuperação judicial e extrajudicial se estendem aos fundos imobiliários. No caso do GPA, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) que estão alocados em fundos de papel podem sofrer variações de preço. Entretanto, os fundos de tijolos, que alugam imóveis para a GPA, não devem ser severamente afetados, já que a empresa garantiu que continuará realizando os pagamentos de aluguel. Por outro lado, fundos de crédito e de renda fixa que mantêm títulos das duas companhias terão que reavaliar seus ativos com base nos preços de mercado, o que pode resultar em perdas para os cotistas.
Impactos Diretos nas Ações e Títulos
Para os investidores em ações, as consequências são mais evidentes, com a Raízen e o GPA registrando quedas de 35% em seus papéis. No setor de títulos, a suspensão dos pagamentos de dívidas por 90 dias leva a uma expectativa de queda nos preços no mercado secundário. Isso inclui um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) da Raízen, que vence em breve, e cujos investidores terão que esperar por um reembolso que pode demorar até três meses.
Expectativas e Estratégias de Renegociação
Atualmente, investidores e analistas aguardam as propostas que o GPA e a Raízen apresentarão a seus credores. Segundo Otávio Faria, analista de crédito, a Raízen pode oferecer recompra de dívida com um deságio significativo, enquanto o GPA enfrenta um cenário mais complexo devido a problemas financeiros que se arrastam há anos. Faria estima que o desconto nas negociações dos ativos do GPA pode chegar a 80%, mas ressalta que não há risco imediato de perdas totais para os investidores.
Considerações sobre Garantias e Proteções
A complexidade das dívidas das duas empresas também envolve a natureza das garantias associadas aos instrumentos financeiros. Debêntures quirografárias e com garantias flutuantes podem ser mais vulneráveis na reestruturação, enquanto os CRIs, que possuem garantias de Alienação Fiduciária, oferecem maior segurança aos investidores. A legislação brasileira protege esses créditos, permitindo que seus detentores executem imóveis diretamente em situações de recuperação judicial ou extrajudicial.
Cenário Futuro e Reestruturações Necessárias
Ambas as empresas estão em um momento crucial de reestruturação e precisam buscar novos caminhos para crescer e se desalavancar. Para os investidores que decidirem manter seus papéis, a abordagem deve se concentrar na reestruturação das operações em vez de simplesmente buscar rendimento de juros. Essa mudança de foco será essencial para enfrentar os desafios financeiros que se avizinham.
As reestruturações profundas exigidas pelo GPA e pela Raízen podem abrir novas oportunidades, mas também apresentam riscos significativos. Assim, é fundamental que os investidores acompanhem de perto o desenvolvimento dessas situações e se preparem para as possíveis flutuações no mercado.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








