O PSOL confirmou sua decisão de não estabelecer uma federação com o PT nas eleições de 2026. A deliberação ocorreu durante uma reunião virtual do diretório nacional do partido, realizada no último sábado, onde 47 votos foram contrários à proposta, enquanto apenas 15 se manifestaram a favor. A presidente do PSOL, Paula Coradi, ressaltou a importância do debate democrático que permeou a discussão e afirmou que o partido seguirá as diretrizes adotadas na reunião, respeitando, no entanto, as opiniões divergentes.
Aliança com a Rede Sustentabilidade
Com a rejeição da federação com o PT, o PSOL decidiu renovar sua aliança com a Rede Sustentabilidade. Durante as discussões, a liderança do partido considerou que a colaboração entre as duas siglas nos últimos quatro anos trouxe resultados positivos, consolidando a federação como uma estratégia eficaz para enfrentar a cláusula de barreira e assegurar a manutenção institucional e o acesso a recursos financeiros. A nota oficial do partido destaca que a preservação dessa parceria visa fortalecer as bancadas e ampliar a representatividade, enquanto mantém a autonomia e identidade de cada partido.
Desafios Internos e Resistência à Proposta
A decisão de não formar uma federação com o PT reflete a resistência significativa entre muitos membros do PSOL, especialmente entre aqueles ligados à ala liderada por Guilherme Boulos, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Nas semanas anteriores, essa vertente enfrentou pressões internas para aceitar a proposta, mas a recusa mostra uma divisão dentro do partido, que surgiu há quase 22 anos após a dissidência do PT. Boulos e sua corrente, a Revolução Solidária, defendiam a união política como essencial para o futuro.
Consequências e Reações Internas
Após a decisão, dois membros da Revolução Solidária, a vereadora Ingrid Sateré Mawé e o economista José Luis Fevereiro, decidiram se desligar do grupo, apontando a derrota de Boulos na corrida pela Prefeitura de São Paulo em 2024 como um fator que contribuiu para as pressões pela federação. Fevereiro criticou a mudança de estratégia, sugerindo que a busca pela proximidade com Lula visava garantir benefícios futuros, ao invés de fortalecer a esquerda de forma coesa.
Críticas à Proposta de Federação
Outras correntes dentro do PSOL, como o Movimento Esquerda Socialista e a Primavera Socialista, também se manifestaram contra a federação com o PT. A deputada Talíria Petrone, que liderou o partido no ano passado, argumentou que a federação não seria benéfica no momento atual, apresentando razões tanto matemáticas quanto estratégicas. Ela destacou que a união com o PT poderia enfraquecer a capacidade do PSOL de apresentar candidatos competitivos, além de comprometer pautas essenciais do partido em áreas como meio ambiente e economia.
Futuro do PSOL e Desafios à Fronteira Política
Os membros mais próximos a Boulos defendem que a sobrevivência do PSOL depende da formação de uma federação, especialmente considerando a possibilidade de a Rede Sustentabilidade se distanciar do partido. Além disso, a cláusula de barreira, que exige um desempenho mínimo nas eleições, continua a ser uma preocupação central para a sigla. Assim, a atual situação política do PSOL é marcada por tensões internas e desafios externos, que determinarão seu papel nas próximas eleições.
A recusa em formar uma federação com o PT não apenas reflete divergências estratégicas, mas também destaca a complexidade do cenário político atual, onde o PSOL busca equilibrar sua identidade e eficácia eleitoral em um ambiente político dinâmico.
Fonte: https://jc.uol.com.br








