Localizada no Leblon, um dos bairros mais nobres da Zona Sul do Rio de Janeiro, a Confeitaria Rio-Lisboa, que opera desde 1943, está no centro de uma disputa imobiliária que atrai a atenção de construtoras e investidores. O estabelecimento, que se tornou um marco cultural da região, agora está à venda por R$ 30 milhões, um valor que gera debate entre os interessados.
Decreto de Patrimônio Cultural
Recentemente, o prefeito Eduardo Paes anunciou a inclusão da Confeitaria Rio-Lisboa no rol de Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial da cidade, conforme publicado no Diário Oficial. Essa decisão não só valoriza o local, mas também implica em uma série de restrições que podem complicar futuras negociações. O decreto, que tem validade de dez anos, prevê a instalação de uma placa que sinaliza sua importância cultural e sua inclusão no "Circuito dos Negócios Tradicionais".
Desafios no Mercado Imobiliário
A venda da Rio-Lisboa não é uma tarefa simples. As negociações já se estendem por aproximadamente dois anos, mas o elevado preço pedido pelos proprietários tem sido um obstáculo significativo. O valor de R$ 30 milhões é considerado alto, especialmente porque o imóvel se encontra em uma Área de Proteção ao Ambiente Cultural (Apac), o que impõe restrições de gabarito e limitações para futuras construções.
Interesse de Construtoras
Diversas construtoras demonstraram interesse pelo terreno, incluindo nomes como Itten, TGB Imóveis e Mozak. Embora a assessoria da Mozak tenha optado por não se pronunciar sobre o assunto, a TGB negou ter feito ofertas, enquanto a Itten confirmou que houve conversas com os proprietários. O cenário atual sugere que as negociações podem entrar em uma fase de espera, principalmente com a recente designação do imóvel como patrimônio cultural, que pode levar a um futuro tombamento.
Características do Imóvel
A Confeitaria Rio-Lisboa está situada na esquina da Avenida Ataulfo de Paiva com a Rua General Artigas. Ao longo de mais de oito décadas, o estabelecimento passou por diversas transformações, expandindo-se de uma única porta para ocupar várias lojas, incluindo um balcão interno e mesas na calçada, distribuídas por três andares. Antigamente, funcionava 24 horas por dia, mas, em decorrência da pandemia, seu horário de funcionamento foi reduzido para das 6h às 22h, com uma equipe de cerca de 60 funcionários.
Repercussão entre os Clientes
A notícia da venda da confeitaria gerou grande repercussão entre os clientes, muitos dos quais expressaram preocupação e curiosidade sobre o futuro do local. Um funcionário da casa comentou que a maioria dos frequentadores estava discutindo a possível venda, evidenciando a importância da Rio-Lisboa não apenas como um estabelecimento comercial, mas como um verdadeiro patrimônio afetivo para a comunidade local.
Conclusão
A venda da Confeitaria Rio-Lisboa, agora protegida como patrimônio cultural, levanta questões sobre a preservação do legado histórico em meio ao crescente interesse imobiliário no Leblon. Com o futuro da propriedade incerto, resta saber como as autoridades e o mercado reagirão a essa nova realidade, e se a rica história desse icônico estabelecimento será mantida para as próximas gerações.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








