Impactos do Conflito no Irã nos Mercados Brasileiros: EWZ em Queda e Petrobras em Alta

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Lara Rizério

A abertura dos mercados nesta segunda-feira (2) traz consigo um clima de aversão ao risco, impulsionado pelos recentes conflitos no Oriente Médio. A escalada das tensões militares na região gera preocupações sobre a estabilidade econômica global, o que pode afetar a recuperação em curso e provocar um novo aumento da inflação.

Desempenho do ETF EWZ

O EWZ, que representa o principal ETF brasileiro negociado nos Estados Unidos, registrou uma queda de 1,29%, alcançando o valor de US$ 38,25 no pré-market. Esse movimento reflete as incertezas geradas pelos conflitos, que impactam diretamente a confiança dos investidores e a performance dos ativos brasileiros no exterior.

Reação das Ações da Petrobras

Em contraste com a queda do EWZ, os American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras, que incluem ações ordinárias da empresa, apresentaram uma valorização de 4,27%, subindo para US$ 17,33. Este aumento ocorre em meio ao crescimento do preço do petróleo, que se aproxima dos US$ 78 por barril, refletindo uma alta de cerca de 8%.

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Análise de Especialistas

Regis Cardoso, especialista em óleo, gás e petroquímicos da XP Investimentos, destaca que a situação atual é marcada por incertezas significativas. As análises de cenários são fundamentais nesse momento, pois embora a interrupção da produção no Irã seja um fator a ser considerado, o real desafio reside na possível propagação do conflito pela região e suas consequências nos fluxos comerciais, especialmente através do estratégico Estreito de Ormuz.

Impacto nos Preços do Petróleo

O especialista ressalta que, embora o impacto imediato seja um aumento moderado nos preços do petróleo, riscos adicionais podem provocar uma elevação ainda mais significativa. Nesse cenário, as empresas de Exploração e Produção (E&P) devem se beneficiar dos preços mais altos do Brent, com estimativas indicando que para cada aumento de US$ 10 por barril, os rendimentos do fluxo de caixa livre (FCFE yields) podem crescer em média 10 pontos percentuais para a Brava, 6 pp para a PetroReconcavo e 5 pp para a PRIO e a Petrobras.

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Preferências do Mercado

A equipe da XP Investimentos continua a mostrar preferência pelas ações da PRIO e da Petrobras, considerando que essas empresas são as menos alavancadas em relação à alta dos preços do petróleo. Além disso, acredita-se que elas oferecem um equilíbrio favorável entre risco e retorno, o que as torna opções atrativas para os investidores em tempos de incerteza.

Conclusão

Diante do contexto atual de conflitos no Oriente Médio, o mercado brasileiro demonstra reações mistas, com o EWZ enfrentando uma queda significativa, enquanto a Petrobras se beneficia do aumento nos preços do petróleo. A volatilidade e a incerteza continuam a ser características marcantes deste cenário, exigindo acompanhamento atento dos investidores às movimentações do mercado e às análises econômicas.

Fonte: https://www.infomoney.com.br