O Brasil está adotando uma postura cautelosa em resposta aos recentes ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que ocorreram no último sábado (28). Essa abordagem é fundamentada em uma série de fatores, incluindo a importância das relações comerciais que o governo brasileiro mantém com os Estados Unidos e a necessidade de preservar laços com o Irã, um país que se tornou um membro do Brics, grupo que reúne nações em desenvolvimento.
Reação Oficial do Brasil
Na manhã do sábado, o Itamaraty divulgou um comunicado condenando os ataques e ressaltando a importância de negociações para a construção da paz. A nota foi clara ao apelar para que todas as partes envolvidas respeitem o direito internacional e exerçam contenção para evitar a escalada de hostilidades. Essa posição reflete a tradição brasileira de buscar soluções diplomáticas em situações de conflito.
Contexto das Negociações
A cautela do Brasil se dá em meio a negociações complexas sobre o programa nuclear iraniano, que continuam a ser um ponto delicado nas relações internacionais. Apesar das tensões, o Irã tem afirmado que seu desenvolvimento de tecnologia nuclear é voltado para fins pacíficos. A pressão militar dos EUA e de Israel, por sua vez, tem gerado uma resposta do Irã, que incluiu o lançamento de mísseis contra alvos em países vizinhos com presença militar americana.
Desafios nas Relações Exteriores
Feliciano de Sá Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, destaca que o Brasil se encontra em uma posição delicada. Com o Irã agora como membro do Brics, o desafio é equilibrar as relações com os Estados Unidos, com quem o Brasil tem negociações sobre tarifas de importação. Essas tarifas, impostas por Donald Trump em 2020, resultaram em aumentos significativos que afetaram a economia brasileira.
Implicações para o Futuro
O professor Williams Gonçalves, da Uerj, ressalta que o Brasil deve manter sua posição cautelosa para não ser visto como provocador em um cenário já tenso. Ele menciona ainda a relação do Brasil com a Rússia e a China, que são aliados do Irã dentro do Brics. A permanência dessas alianças é crucial, especialmente à luz de ações passadas dos EUA na América Latina, como a tentativa de intervenção na Venezuela.
Princípios de Política Externa
A defesa da autodeterminação dos povos e o princípio da não ingerência são pilares da política externa brasileira. Gonçalves argumenta que, diante da intenção dos EUA de promover mudanças de regime no Irã, o Brasil deve se posicionar de forma a proteger esses princípios. O pesquisador Leonardo Paz Neves, da FGV, também enfatiza que a posição do Brasil deve ser de crítica construtiva, sem perder de vista a necessidade de diálogo.
Conclusão
Diante do cenário internacional complexo, o Brasil precisa manter uma postura que reflita seu compromisso com a diplomacia e a resolução pacífica de conflitos. A habilidade de navegar entre os interesses dos Estados Unidos e a aliança com o Irã será crucial para a manutenção da posição do país no Brics e para o fortalecimento de suas relações comerciais. O momento requer não apenas cautela, mas também uma estratégia clara que respeite os princípios de soberania e autodeterminação.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








