O julgamento dos acusados de planejar o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, começa na próxima terça-feira, 24 de outubro, no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso, que chocou o Brasil e o mundo, remete a um episódio trágico ocorrido em março de 2018, no Rio de Janeiro.
Detalhes do Julgamento
O processo será conduzido pela Primeira Turma do STF, com sessões programadas para as 9h e 14h do dia 24, além de uma terceira sessão às 9h do dia 25 de outubro. As audiências ocorrerão na sala da Primeira Turma e estarão abertas ao público, que poderá se credenciar para acompanhar presencialmente.
Os Réus e suas Acusações
Entre os réus, destacam-se Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e seu irmão Francisco Brazão, ex-deputado federal, além de outros envolvidos como Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-policial, e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos. Todos enfrentam acusações de homicídio qualificado e tentativa de homicídio, com os irmãos Brazão e Robson também sendo processados por organização criminosa.
O Processo Judicial
O rito do julgamento seguirá as diretrizes do Regimento Interno do STF. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, iniciará com a apresentação de um relatório detalhando os principais acontecimentos do processo. Em seguida, a acusação terá uma hora para expor seus argumentos, um tempo que pode ser ajustado pelo presidente da Turma. As defesas também terão um tempo similar, após o qual os ministros do STF deliberarão e votarão, sendo necessário o mínimo de três votos para uma decisão.
Acompanhamento do Julgamento
Os réus, que se encontram presos, poderão acompanhar o julgamento por meio de transmissão, conforme autorização do relator. Além disso, o público poderá assistir ao processo de forma presencial, com credenciamento disponível para interessados. Essa abertura para o público reflete a relevância social e política que o caso Marielle Franco representa.
Motivos para o Julgamento no STF
O caso foi encaminhado ao STF em razão do foro privilegiado de Chiquinho Brazão, que ocupou o cargo de deputado federal. É importante ressaltar que, em 2024, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, outros réus implicados na morte de Marielle e Anderson, foram condenados pelo 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, indicando a complexidade e a continuidade do processo judicial relacionado a esse crime.
Expectativas e Consequências
A Procuradoria-Geral da República (PGR) argumenta que os crimes foram cometidos com motivações torpes e mediante promessa de recompensa, ressaltando a gravidade da situação. A PGR busca não apenas a condenação dos réus, mas também a perda de suas funções públicas e a fixação de indenizações, que poderiam refletir a seriedade da ofensa cometida contra a democracia.
Análise dos Acusados
A PGR detalhou as ações de cada um dos acusados, afirmando que Francisco Brazão foi o mandante do assassinato, enquanto Domingos Brazão e Robson Calixto Fonseca estavam envolvidos na organização criminosa. Rivaldo Barbosa também foi identificado como um dos co-autores, utilizando sua posição de autoridade para facilitar os crimes. A complexidade das ligações entre os réus e as estruturas do crime organizado evidencia a necessidade de uma resposta judicial rigorosa.
Conclusão
O julgamento dos acusados pela morte de Marielle Franco e Anderson Gomes representa um momento crucial para a justiça brasileira, trazendo à tona questões sobre impunidade e a luta pela verdade e pela justiça. A sociedade aguarda ansiosamente por um desfecho que não apenas faça justiça às vítimas, mas também reforce os princípios democráticos e a proteção dos direitos humanos no Brasil.







